Os Stones traduziram o seu mito em som de forma fiel e absoluta.

Exile on Main St.
The Rolling Stones
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Mais do que músicas ou performances, a mensagem de Exile on Main St. é uma questão de estado de espírito. Os seus ritmos deixam ouvir jovens deuses ingleses a suar na cave de uma mansão francesa com vista para o Mediterrâneo, cercados por drogados e parasitas, a comer lagosta à tarde e a trabalhar noite fora. Nunca a banda conseguiu traduzir o seu mito em som de forma tão fiel e absoluta. Porém, Exile foi também a criação dos Rolling Stones que mais perto esteve da vanguarda, um álbum cujos aparentes defeitos (a mistura turva, a desordem dos músicos) evocavam uma sensação que nunca iria existir em contextos mais precisos.
“Exile on Main St. é o maior disco de rock ’n’ roll de todos os tempos. Não é apenas a maior banda de rock ’n’ roll do mundo no sul de França, numa mansão, a ser inimaginavelmente bela e decadente. É também aquilo que se passa lá dentro que não conseguimos ouvir.”
Chris Robinson
The Black Crowes
Para cada “Tumbling Dice” ou “Torn and Frayed”, dois dos momentos mais coerentes do álbum, havia um “I Just Want to See His Face” ou “Let It Loose”, temas que funcionavam menos como pensamentos acabados e mais como sugestões inacabadas. Além disso, o blues, que antes era a forma abreviada da banda relatar as dificuldades e desejos terrenos, ganhou contornos misteriosos e enigmáticos. Os Stones incorporavam então a confusão que antes se limitavam a descrever.