Uma obra-prima majestosa de puro nervo que eleva a fasquia para o R&B moderno.

SOS
SZA
72
Em 2017, Ctrl, um projeto de 14 faixas preenchido com canções sobre amor, sexo, dúvidas e desgostos, tornou-se um dos álbuns mais influentes do R&B moderno. Foi a banda sonora para muitas pessoas na casa dos vinte anos, pondo em foco as dores de crescimento da jovem idade adulta através de letras diarísticas, extremamente relacionáveis e plenas de considerações que pareciam saídas de conversas entre um grupo de pessoas amigas. Cinco anos mais tarde, SZA regressou igualmente honesta, mas substituindo o amor-próprio e a aceitação pela rebeldia. SOS é o som de alguém que já se fartou.
A faixa-título, “Smoking on My Ex Pack” e “Far” mostram cansaço e cautela. Depois, SZA encontra confiança em “Conceited” e “Forgiveless”. Em “Ghost in the Machine” contempla a perda de privacidade e de humanidade com Phoebe Bridgers, ícone da Geração Z. O crescimento registado entre o seu álbum de estreia e o segundo trabalho é tanto estilístico como poético, misturando as suas adoradas batidas lo-fi com floreados de inspiração grunge e punk. E nada disso soa fora do lugar: SOS é o nervo puro, atribulado e majestoso de uma obra-prima que o momento merece.
